quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Cerca de 800 kg de óleo cru são retirados das praias de Icapuí no Ceará, diz governo


Desde a chegada da mancha de óleo cru ao litoral cearense, voluntários realizam a retirada do material nas praias atingidas. No município de Icapuí, extremo Leste do Ceará, equipes se reúnem desde segunda-feira (21), quando foi confirmada a presença da mancha, e já retiraram cerca de 800 Kg da substância, segundo a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) do estado.

Desde o fim de agosto e início de setembro, diversas manchas de óleo têm aparecido em praias do Nordeste. Segundo o mais recente balanço do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), divulgado nesta segunda (21), o óleo já atingiu 200 localidades em nove estados da região. Em Fortaleza, os municípios de Beberibe, Aquiraz, São Gonçalo do Amarante, Paracuru, Fortim, Paraipaba, Aracati, Cascavel e agora Icapuí registraram manchas nas praias.

Em nota, a Sema disse ainda que a limpeza foi realizada também por 60 militares da Marinha. O órgão afirmou que detectou uma mancha de grande proporção no mar, vista por meio de uma sobrevoo realizado na terça-feira (22) de manhã.

O pescador Francisco Edgar Junior, de 32 anos, é um dos voluntários que se juntou à corrente solidária formada no litoral de Icapuí nesta terça-feira, 22. O pescador mora a cerca de 30 metros da Praia de Barreiras - o local mais atingido pela mancha no município, e conta que o trabalho realizado resultou na diminuição do material encontrado nesta manhã. “Hoje já amanheceu sem óleo. Outros pescadores não viram a mancha em outros locais também”, afirma.

A diminuição foi observada, ainda, nas praias de Redonda e Ponta Grossa, que foram afetadas em escala menor. A substância encontrada nos dois locais apresentou menor concentração e tamanho reduzido.

O fotógrafo e músico, Gelton Duarte Soares, mobilizou diversas pessoas na cidade para trabalhar retirando o óleo das praias de Icapuí, na segunda (21) e terça (23). "É um trabalho minucioso. Nós conseguimos limpar quase 100% da praia de Icapuí", relata. Segundo o fotógrafo, o grupo de voluntários está de "prontidão e em alerta" para realizar nova limpeza, caso o óleo volte a aparecer na região. (Do G1 Ceará)

Sobral registra 38,8°C, o maior pico de temperatura do Brasil em 24 horas


Sobral, localizado na macrorregião do Litoral Norte do Ceará, registrou, na tarde desta quarta-feira (23), 38,8°C, sendo esta a maior temperatura máxima do Brasil entre os municípios monitorados pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no intervalo de 24 horas.

Além da cidade cearense, outras do Nordeste também atingiram o mesmo valor extremo. Foram elas: Pão de Açúcar (AL), Floresta (PE) e Castelo do Piauí (PI). No ranking das 5 maiores, aparece ainda Parambu, com 38,6°C. O valor atingido por Sobral, na tarde de ontem, foi o 2º maior do município em 2019. O pico de temperatura deste ano aconteceu em 23 de setembro, quando registrou-se 39,3°C.

“O segundo semestre é caracterizado por temperaturas mais altas em relação ao primeiro. Porém, em média, variam pouco, devido à localização geográfica do Ceará, que é próximo à Linha do Equador. A escassez de chuva neste período também contribui para temperaturas mais elevadas. Sem a cobertura de nuvens, a incidência dos raios solares é maior também. Outros fatores como a degradação do meio ambiente colabora para esta variação”, explica o meteorologista Raul Fritz.

Conforme as normais climatológicas, observa-se que o período entre setembro e novembro, conhecido como “Br-O-Bro”, todos os municípios monitorados apresentam médias mais elevadas. Em outubro, aquele que possui maior temperatura máxima média no Ceará é Morada Nova, com 35,9°C. Já Fortaleza, costuma apresentar média de 31,2°C, subindo para 31,5°C em novembro.

“Em geral, as regiões mais interioranas costumam registrar temperaturas mais altas em relação aquelas do litoral. Os ventos que sopram do mar para o continente acabam perdendo força à medida que vão entrando sobre o território. A diferença também se dá por conta da altitude de uma cidade para outra”, reforça Fritz.

Calor na Capital
Fortaleza, que em setembro apresentou temperatura máxima média de 31,4°C – 0,4°C acima da normal -, neste mês atingiu pico de 34,5°C também na tarde desta quarta. Apesar de situar-se no litoral, a urbanização da Capital colabora para aumento do calor e da sensação térmica.

Conforme Fritz, esta transformação da metrópole ao longo do tempo provoca o surgimento de ‘ilhas de calor’. “Os gases emitidos pelos automóveis e as barreiras dos prédios, por exemplo, estão entre os fatores que colaboram para uma cidade mais quente”, complementa o pesquisador da Funceme.