Nesta terça (11), os grupos EDP e Eneva vão entregar a primeira estrada do Ceará que reutiliza cinzas de carvão na pavimentação. Esses resíduos são subprodutos da geração de energia elétrica do Complexo Termelétrico de Pecém, em São Gonçalo do Amarante (RMF), composto pela UTE Pecém I (sob a gestão da EDP Brasil) e pela UTE Pecém II (administrada pela Eneva).
Segundo diretores desses grupos, as cinzas são usadas em duas camadas que formam a base da estrada. Em uma delas, vão substituir 50% de solo comum. Na outra, representam 95% da composição. É a primeira vez que esse tipo de aplicação é utilizado fora de ensaios laboratoriais. A via possui extensão de 1,3 quilômetro e 12 metros de largura.
Pesquisa
O estudo para o desenvolvimento do composto iniciou-se em 2015 e conta com participação da Universidade Federal do Ceará. Ao todo, o projeto recebeu investimento de R$ 4,1 milhões. A estrutura receberá tráfego de caminhões com insumos, ônibus de transporte de funcionários e veículos particulares. O ganho ambiental ocorre pela utilização de cinzas do carvão – subprodutos da geração de energia – como matéria-prima.
A principal possibilidade que se abre com a pesquisa e aplicação prática das cinzas de carvão como insumo asfáltico é evitar a exploração de jazidas naturais para extrair solo nativo, prevenindo a degradação ambiental. Além disso, a Universidade Federal do Ceará (UFC) vai elaborar um Manual de Uso contendo normas e instruções de serviço que servirão de apoio e incentivo à concepção de pavimentos com utilização das cinzas oriundas de termelétricas.
Desenvolvida em parceria a Universidade Federal do Ceará e Faculdade de Tecnologia do Nordeste (Fatene), a composição utiliza 95% de insumo tradicional e 5% de cinza. As peças pré-moldadas são feitas com adição de cimento e de uma série de outros componentes. Os agregados mais tradicionais são areia e pó de pedra. Nesse caso, uma parte desses materiais foi substituída pela cinza.
(Foto – Divulgação)